BRASÃO DE ARMAS: De vermelho com uma torre de prata.

TIMBRE: A torre de escudo

“Aqueles do século XIV, membros da honorável casa dos Soares, viveram no tempo em que uma das maiores façanhas das armas da história de Portugal teve lugar, a saber, a batalha de Aljubarrota, travada em 14 de agosto de 1385, próxima da assim denominada cidade, localizada no centro de Portugal. O rei castelhano, Juan I, reclamava a coroa de Portugal através de seu casamento com a rainha Beatriz, a filha do último rei de Portugal. A grande maioria dos portugueses, incluindo muito dos patrióticos da família Soares, não estavam dispostos a aceitar um rei castelhano, razão pela qual escolheram como seu líder a João de Aviz, que se iriam juntar à luta que estava para vir por Nuno Ivares Pereira, o “Condestável”. Juan I invadiu Portugal confiante no valor do seu exército, que contava com vinte e dois mil cavaleiros, e soldados, e esperava o apoio de nobres portugueses que o tinham como legítimo herdeiro. Ao contrário, João, que tinha sido proclamado rei de Portugal há apenas quatro meses atrás, estava apto para reunir tão somente uns meros sete mil homens. Não obstante, o prestígio do chefe Pereira, ganho através de suas vitórias em incursões do ano precedente, inspirou entre a milícia de seus comandados e soldados, os quais podem ter incluído heróicos membros da família Soares, a garantia da necessidade de uma condição de vitória. Uma vez que a direção dos castelhanos tornou-se clara, Pereira propôs um plano que acarretaria no bloqueamento das linhas inimigas em avanço e, então, procederia à ofensiva, tendo manejado seus inimigos em terrenos que anularia a vantagem numérica dos invasores.

A despeito da desconfiança de alguns comandantes portugueses, em adotar uma estratégia agressiva contra um oponente numericamente superior, o ritmo dos acontecimentos tiveram poucas alternativas para escolha de ações e os ainda indecisos foram forçados a seguir o audacioso desígnio do Condestável, que saiu de Abrantes com o exército levantado e seguiu para Tomar. Os portugueses procederam para prevenir o avanço dos Castelhanos em Lisboa e Pereira colocou suas forças numa colina defensiva ao norte e a oito quilômetros ao sul de Leiria. Ali, encostas ásperas para ambos os lados, a posição defensiva tinha a vantagem da inclinação sobre o campo do atacante. Os cavaleiros castelhanos, acreditando em sua própria superioridade e ignorantes do terreno, resolveram atacar. O triunfo português em Aljubarrota, uma fonte de honra para todos, incluindo os atuais portadores da família Soares, não só preservou sua independência nacional, mas também marcou a supremacia política das classes burguesas de Portugal, que tinham preparado e feito a revolução de 1383 e escolhera a João de Aviz como rei, demonstrando a vantagem da infantaria, organizadas de maneira democrática, que lentamente iam anulando o valor da cavalaria medieval.

“No termo de Valladares de Cangil a casa rica a sua geração fica que o nome de Soares com os seus junto publica.” (Manoel de Sousa da Silva)

Quando um nome é derivado de um nome próprio, ele é geralmente o nome do pai (patronímico) ou da Mãe (matronímico) do portador original, o qual é adotado e transformado em um nome de família hereditário fixo. Esse nome é então orgulhosamente transmitido de geração para geração, ocasionalmente alterado ortograficamente ou abreviado ocasionando uma ligação entre o portador vivo do sobrenome e o portador primogênito original do qual o sobrenome deriva. O sobrenome Soares pertence a uma das mais antigas e ilustres famílias de Portugal. Este sobrenome significa ‘filho ou descendente de Soeiro”. Soeiro é derivado do termo alemão antigo “Sug-hari”, que literalmente se traduz como “exército sul”. Foram duas as principais famílias portuguesas de linhagem nobre que levaram este sobrenome. Uma foi os Soares de Albergaria, que usavam simplesmente Soares como nome de família. A outra foi Soares de Tangil, da qual o primeiro portador deste sobrenome foi Soeira Afonso de Tangil, senhor da torre de Tangil, no distrito de Monção. Seu filho Gil Afonso Soares de Tangil, foi o primeiro a usar o sobrenome composto Soares de Tangil, e que viveu durante o reinado de D. Pedro I (1350-1359).

Uma das mais antigas referências a este sobrenome é o registro de Fernão Soares, eclesiástico português, citado em 1270. Portadores notáveis do sobrenome Soares foram, entre outros: João Soares (1507-1572), bispo português; Ruy Fernando Soares, pintor português citado em 1551; Vicente de Gusmão Soares (1606-1675), cônego e poeta português. No Brasil, encontramos o registro de Isabel Soares, filha de Manoel Soares e Maria Paes, nascida no Paraná em 8 de julho de 1684. As armas descritas abaixo foram concedidas à família Soares pelas autoridades apropriadas.

Uma das figuras muito admiradas e reverenciadas pelos portugueses, sem dúvida incluindo passados e atuais membros de ilustre família Soares, é a Santa Elizabeth de Portugal (1271-1336), também conhecida como “A Pacificadora” e “A rainha Santa”. Filha de Pedro III de Aragão, ela foi chamada por sua tia, Santa Elizabeth da Hungria e foi casada com o rei Dinis de Portugal em 1282, um evento conhecido por alguns dos membros da família Soares. Elizabeth venceu a corrupção e prazeres da corte real, devotando sua riqueza e energia para atividades caritativas. Quando seu filho Afonso empreendeu uma rebelião contra seu pai, Elizabeth bravamente interpôs-se entre os exércitos oponentes efetuando a contento uma reconciliação. Verdadeira para com seu cognome “A Pacificadora”, Elizabeth morreu em meio à rota para um campo de batalha, onde esperava conseguir a paz entre seu filho, o rei Afonso IV, e o rei castelhano Alfonso XI. De fato, os portadores do sobrenome Soares, podem gloriar-se na rica e colorida história de sua terra, Portugal.”

(The Historical Research Center (c), 1993)