Um grão de poeira que ama.

A criança que deste à luz pesa quatro quilos.

É feita de mais de três quilos de água e de um punhado de carbono, cálcio, azoto, sulfato, fósforo, potássio e ferro. Pariste três quilos de água e um quilo de cinzas. Assim, cada gota do teu filho era constituída por vapor de nuvem, cristais de neve, bruma, orvalho, águas da nascente e lama de sarjeta.

Milhões de combinações possíveis de cada átomo de carbono ou de azoto.

Limitaste a reunir o que existia…

Entre milhões de pessoas, tu, que pariste mais um homem. Quem é ele? Um rebento, um grão de poeira – um pequeno nada.

É tão frágil que uma bactéria pode matar; uma bactéria que, aumentada mil vezes, não passa de um ponto no campo visual.

Neste pequeno não há qualquer coisa que sente, deseja e observa que sofre e que odeia; que ama e se alegra; que acolhe e rejeita.

É precisamente esta a contradição inerente ao ser humano: nascido de um grão de poeira, Deus vem habitá-lo.

J. KORCZAK. COMO AMAR UMA CRIANÇA.

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