Alex Soares(AS) – Especialização
Prof. Vicente Martins(VM)- Graduado e pós-graduado em Letras (Língua Portuguesa, Espanhol e suas respectivas literaturas) pela UECE. Mestre em ensino pela UFC.

AS – Contato profissional
(VM)- Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), em Sobral, Estado do Ceará. Professor do Curso de Letras. E-mail: vicente.martins@uol.com.br
AS – Dica de Livro
(VM)- Entre tantos,são meus livros da cabeceira: CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetização & lingüística. 5ª ed. São Paulo: Scipione, 1992. pp. 95-146.
CARVALHO, Marlene. Guia prático do alfabetizador. 4ª ed. São Paulo: Ática, 1999.
CRYSTAL, David. Dicionário de lingüística e fonética.Tradução e adaptação de Maria Carmelita Pádua Dias. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.
FARACO, Carlos Alberto. Escrita e alfabetização: características do sistema gráfico do Português. São Paulo: Contexto, 1192. (Coleção Repensando a Língua Portuguesa)
MORAIS, Artur Gomes de. Ortografia: este peculiar objeto de conhecimento. In MORAIS, Artur Gomes. (org). O aprendizado da ortografia. 3ª ed. 1ª reimp. Bel.o Horizonte: Autêntica, 2003. (Linguagem e Educação, 4). pp.7-19.
MORAIS, Artur Gomes. (org). O aprendizado da ortografia. 3ª ed. 1ª reimp. Bel.o Horizonte: Autêntica, 2003. (Linguagem e Educação, 4)
MUTTER, VALERIE. Antevendo as dificuldades de leitura e de ortografia das crianças. In SNOWLING, Margaret: STACKHOUSE, Joy. Dislexia, fala e linguagem: um manual do profissional. Tradução de Magda França Lopes. Porto Alegre: Artmed, 2004. pp. 43-56. SCLIAR-CABRAL, Leonor. Guia prático de alfabetização: baseado em princípios do sistema alfabético do Português do Brasil.São Paulo: Contexto, 2003.
20. SCLIAR-CABRAL, Leonor. Princípios do sistema alfabético do Português do Brasil.São Paulo: Contexto, 2003.
A propósito, fiquei impressionado que Marcola, o número 1 do PCC, segundo a Revista Veja, já tenha tido fôlego de ler 3.000 livros. Acho que não a 2000 durante toda a existência.

AS – Uma filosofia
(VM)- Lê muito para aprender mais. Aprender muito para ser mais feliz

AS – Vicente Martins por Vicente Martins?
(VM)- Adoro, ao pé da letra, de ser marido de Luciene Martins, pai de Atília e Mariana Martins e de ser professor na área de Letras. Pelo menos,18 mil alunos já passaram por mim nos últimos 23 anos de magistério.

AS – Professor. Primeiramente gostaria de agradecer a atenção dispensada para comigo e dizer que sou grande admirador do seu trabalho.
(VM)- Grato pela referência ao meu trabalho. Também gosto muito de seus textos e de suas iniciativas acadêmicas

AS – É possível observar em seus artigos sua paixão pelo ensino da Língua Portuguesa. Como que o senhor, enquanto educador e estudioso da Língua vê os cursos de Letras atualmente?
(VM)- Como professor de Cursos de Letras, tenho apenas 15 anos de magistério de Letras. Quase nada. Mas, hoje, comparando o atual currículo da maioria dos cursos de Letras dos Estados da Federação, avançamos muito em se tratando de referenciais teórico-lingüístico-literários e mais recentemente passamos a dar uma maior atenção às práticas e estágios na formação inicial dos docentes na área de Letras, especialmente os que vão atuar na educação básica.

AS – O senhor acredita que todos os universitários deveriam cursar Letras antes de cursar uma graduação específica? Tendo em vista, que se trata do ensino de nossa Língua Materna?
(VM)- Não necessariamente uma formação em Letras, mas disciplinas que possam dar uma informação mais abrangente e básica (afinal, todas as disciplinas do currículo têm uma relação imediata com o mundo da linguagem) sobre o mundo das letras e artes.

AS – Para o professor qual a importância do ensino de Gramática Normativa na graduação?
(VM)- Defendo-a como competência de domínio da norma culta. No entanto, o ideal é que o professor de gramática fizesse, em sala de aula, a aproximação da gramática (ou sua teoria) com outras habilidades, como leitura e escrita. Durante a leitura, ter aprendido bem a divisão silábica, a contar letras e fonemas de uma palavras ou a reconhecer os fonemas nas representação dos signos gráficos, é importante para uma boa soletração ou leitura em voz alta. Na escrita, sem uma boa gramática não há como revisar bem o texto. Escrever bem é reescrever o texto seguindo os parâmetros normativos, posto que, ao contrário do que se imagina, dão coerência e coesão aos textos escritos.

AS – Para o senhor, o que é preciso mudar no ensino a fim de que tenhamos uma educação verdadeiramente comprometida com a aprendizagem?
(VM)- A formação dos docentes deve ser a grande preocupação da União, Estados e Municípios. Não me refiro apenas à formação inicial, nas graduações ou licenciaturas. Estou me referindo à educação continuada ou à educação contínua, em serviço, através de cursos rápidos de atualização, como “ Como fazer inferência textual”, “ Como grafar corretamente palavras com X ou CH” e assim por diante, de modo a atender interesses e necessidades dos sujeitos da aprendizagem, os alunos.

AS – Você acha que a intertextualidade ajuda no trabalho com alunos que possuem dificuldades de aprendizagem em Língua Portuguesa?
(VM)- Uma intertextualidade que leve em conta a importância da diversidade de textos ou de gêneros textuais é muito salutar para a aprendizagem da língua materna.

AS – Para você quais os principais valores que devem ser trabalhados na escola?
(VM)- O respeito às diferenças, especialmente as variações lingüísticas, é o mais significativo para aqueles que lidam com o ensino do Português em sala de aula do ensino fundamental e médio. Valores como solidariedade e a Justiça, o mais forte entre eles, são centrais na educação em valores ou no ensino com base na transversalidade.

AS – O que o senhor acha dos cursos de graduação em Letras, em algumas universidades, terem a duração de três anos atualmente?
(VM)- As novas resoluções, pareceres e diretrizes curriculares, baixadas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) e homologadas pelo Ministério de Educação, orientam para que as universidades possam efetivar seus cursos em, no mínimo, três anos. De um lado é bom, porque, infelizmente, os alunos estão chegando “velhos” aos cursos, uma vez que a taxa de abandono ou repetência na educação básica é muito alta, e, assim, de algum modo, corrige a distorção idade-série, mazela anterior ao Curso Superior. Do outro lado, pode jogar no mercado de trabalho o profissional de Letras menos preparado para atuar de forma brilhante e tranqüila. A sociedade e as escolas, em particular, estão mais rigorosas e exigentes com relação aos novos profissionais que vão atuar no século XXI.
AS – Para terminar, conte para os nossos leitores quais são os seus segredos para ser um educador de sucesso?
(VM)- Nós, de Humanas, em especial, os profissionais de Letras, temos o dever compulsório de estudarmos muito e praticamente todos os dias. Os estudos lingüísticos e os estudos literários são o imperativo na vida do profissional ou do futuro professor de Letras, especialmente os que vão trabalhar com o ensino da língua materna. Um educador em Letras está condenado a ser um eterno apaixonado pelas questões do vernáculo e mais ainda por questões relacionadas com o mundo da educação e do ensino, verdadeiro desafio. Clarice Lispector, em um dos seus textos sobre Língua Portuguesa, diz “ A língua Portuguesa é um desafio”. O desafio, maravilhoso, o de aprender a ler, escrever, a ortografia, a ouvir e o declarar amor à língua portuguesa.