Alex Soares(AS) – Especialização
João Beauclair (JB) – Mestre em educação, psicopedagogo. Conferencista e palestrante sobre temas educacionais e psicopedagógicos em diversos eventos, congressos e fóruns nacionais e internacionais. Consultor educacional e psicopedagogo institucional atuando no campo da educação corporativa. Associado a SBGC: Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento. Colaborador em diversos revistas especializadas e em sites brasileiros e portugueses. Professor convidado por diversas instituições brasileiras para cursos de pós-graduação na área educacional e psicopedagógica. Mestre em Educação; Mediador do PEI (Programa de Enriquecimento Instrumental – Nível I e II), com certificado do ICELP (International Center of Enhancement to Learning Potential) de Israel. Mestre em Educação e Pós-graduado em Planejamento Educacional pela Universidade Salgado de Oliveira – Rio de Janeiro. Psicopedagogo pela UCAM – Universidade Cândido Mendes, Rio de Janeiro; Associado a ABPP: Associação Brasileira de Psicopedagogia; escritor, ambientalista, poeta, ensaísta e autor de diversos artigos sobre Psicopedagogia, Educação, Meio Ambiente, Ecologia Humana, Direitos e Valores Humanos. Ex-vice-Coordenador do Núcleo Sul-mineiro de Psicopedagogia da ABPp; ex-coordenador do Centro de Ensino Superior da Fundação Aprender, Varginha, Minas Gerais.
SBGC: Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento http://www.portalsbgc.org.br

AS – Contato profissional
(JB) – joaobeauclair@yahoo.com.br

AS – Dica de Livro
(JB) – “A águia e a galinha: uma metáfora sobre a condição humana”, de Leonardo Boff, publicado pela Editora Vozes. Um livro que nos auxilia a ampliarmos nossa visão de mundo e de humanidade.

AS – Dica de vídeo
(JB) – “AS garotas do calendário”, um filme fantástico sobre amizade, sonhos, ética, valores humanos e solidariedade.

AS – Uma filosofia
(JB) – Amo este trecho da música de Gonzaguinha: “Viver e não ter a vergonha de ser feliz, cantar e cantar e cantar a beleza de seu um eterno aprendiz”. Aprender é a maior palavra para nossa emancipação enquanto seres humanos.

AS – João Beauclair por João Beauclair?
(JB) – Um homem que sonha com dias melhores neste mundo.

AS – Bem, professor. Primeiramente gostaria de agradecer a atenção dispensada e dizer que sou grande admirador do seu trabalho e da sua pessoa.
(JB) – Também fico feliz por poder participar deste site e do trabalho de divulgação educacional humanista que ele se propõe. Também admiro, Alex, o seu trabalho e empenho neste sentido.

AS – Há quanto tempo, você desenvolve trabalhos relacionados a Psicopedagogia?
(JB) – Faz quatro anos que venho buscando uma melhor sistematização. Na verdade, a Psicopedagogia foi um caminho que encontrei para me auxiliar na minha prática humanística em educação. Fiz Psicopedagogia depois do meu mestrado em Educação, onde pesquisei sobre Direitos Humanos na Prática Pedagógica. Atualmente faço palestras e mediação de oficinas psicopedagógicas, ministro aulas em curso de pós-graduação lato-sensu em Psicopedagogia e sou vice-coordenador do Núcleo sul-mineiro da ABPp: Associação Brasileira de Psicopedagogia, em Varginha, Minas Gerais.

AS – Como surgiu essa paixão, se é que posso chamar assim, pela Psicopedagogia?
(JB) – Foi a partir do estimulo de uma grande amiga (Professora Júlia Eugênia Gonçalves) que tive o meu interesse desperto para estudar a Psicopedagogia. Na apresentação do meu livro, escrita por ela, esta história é bem explicada. Hoje, é um ofício prazeroso estudar permanentemente temas psicopedagógicos: gosto de escrever sobre o que estudo e publico artigos em sites brasileiros e em Portugal.

AS – Qual a sensação de escrever um livro sobre um assunto tão importante como é o trabalho com competências e habilidades?
(JB)- É a sensação de compartilhar minha própria trajetória como aprendente e de dividir com meus leitores a minha alegria de poder exercer minhas potencialidades de autoria de pensamento. Este meu primeiro livro é resultado de um percurso iniciado com minhas pesquisas para uma práxis psicopedagógica mais humanística, transdisciplinar e plural. Provavelmente no segundo semestre estarei com outro livro pronto, em parceira com a professora e psicopedagoga Júlia Eugênia Gonçalves, editado pela Fundação Aprender. Sou um educador-escritor apaixonado pela escrita: escrever é um vício, um bom vício que tenho. E escrever sobre Psicopedagogia é, de fato, uma paixão.

AS – João Cabral de Melo Neto diz que: “um galo sozinho não tece uma manhã, ele sempre precisará de outros galos…”, você acha que esta seria uma boa filosofia para a melhoria da educação?
(JB) – Interessante Alex. Eu citei este trecho do lindo poema do João Cabral em minha tese de mestrado. Não tenho dúvidas que o que precisamos, cada vez mais, é de ouvirmos uns aos outros nos espaços e tempos onde atuamos como educadores. Penso ser uma pena secretarias de educação continuarem a investirem em projetos mirabolantes, em semanas pedagógicas caríssimas, em cursos de atualização distantes das realidades vivenciadas pelos educadores brasileiros. Aposto muito na formação permanente planejada, acompanhada e executada por uma equipe de pessoas que fazem um bom diagnóstico sobre o grupo que se quer trabalhar. É preciso fazer de cada escola um espaço aprendente, onde sejam valorizados os trabalhos ali executados e que se pense assim: “aqui é a melhor escola do mundo e eu sou o melhor professor que eu posso ser”. É no cotidiano da escola, no chão de cada sala de aula que será possível ver as mudanças necessárias. Sempre falo que é preciso mudar modelos tão tradicionais de formação por outros mais abertos, onde educadores não sejam apenas sujeitos passivos, que somente ouvem, mas sim pessoas que compartilham suas dúvidas, sucessos, fracassos, sonhos, desejos, experiências, projetos, competências e habilidades.

AS – Para você, o que é preciso mudar no ensino a fim de que tenhamos uma educação verdadeiramente comprometida com a aprendizagem?
(JB) – Para que tenhamos uma escola verdadeiramente comprometida com uma aprendizagem de fato significativa, o primeiro passo seria termos políticas públicas decentes para a própria profissão de professor. O que vemos hoje é um disparate: professores com remunerações ridículas, sem planos de cargos e salários dignos, ausência de concursos públicos, contratações precárias (onde fica ainda mais claro todo este descaso), uma carga horária de trabalho imensa, formação ruim, tempo e recursos inexistentes para formação continuada e vivências culturais, excesso de cobranças desnecessárias e um imenso descrédito social oriundo desta desqualificação generalizada para com a Educação. Infelizmente vivemos num país onde existe a presença de um discurso político que não tem representação concreta na realidade: fala-se muito em educação, mas infelizmente esta ainda é vista como despesa, não como investimento. Enfim, a realidade da grande maioria dos professores brasileiros hoje é esta: não é toa que temos hoje uma nova síndrome, a Síndrome de Burnout, cada vez mais diagnóstica entre educadores e educadoras em nosso país. Tal Síndrome é definida por vários autores como uma das conseqüências mais marcantes do stress profissional, caracterizando-se por depressão e insensibilidade, exaustão emocional, avaliação negativa de si mesmo, enfim, resultados de uma história de vida marcada pela ausência de valorização efetiva.

AS – Você acha que a interdisciplinaridade ajuda no trabalho com alunos que possuem dificuldades de aprendizagem?
(JB) – Com certeza este é um caminho possível. Aposto muito minhas fichas numa concepção de educação onde os projetos de trabalho estejam a serviço do ensino para além dos conteúdos padronizados e tradicionais. Infelizmente o mundo mudou e a escola, de um modo geral, continua a mesma. O que nos dá um certo alento é o fato de que sempre tivemos, em todas as épocas, pessoas que atuam em educação com uma perspectiva de mudança, de transgressão de paradigmas. Sempre existem os que não se conformam em fazer sempre as mesmas coisas e, por isso, criam alternativas, independente das dificuldades. Talvez este seja nosso maior desafio: sermos resilientes e irmos adiante, apesar dos pesares.

AS – Para você quais os principais valores que devem ser trabalhados na escola?
(JB) – Os valores humanos de solidariedade, amorosidade, amizade, companheirismo, afeto, ternura, mansidão. Vivemos num mundo stressado e parece que não chegaremos a lugar nenhum com isso. A escola é o espaço da possível convivência com as diferenças. O diálogo é a maior possibilidade de irmos adiante e superarmos a intolerância. Sinto e penso que, se em cada escola deste país houver alguém que deseje realmente um mundo melhor, mais justo, fraterno e igualitário, e que movimente este desejo no espaço coletivo, ainda poderemos acreditar em nossos sonhos, nas nossas utopias.
AS – Para terminar, conte para os nossos leitores quais são os seus segredos para ser um psicopedagogo de sucesso?
(JB) – Não há segredos (e quem sabe, nem sucesso! risos). Mas o importante é a troca de idéias com pessoas, trabalho e estudo permanentes, humildade para reconhecer que nos tempos atuais sabemos cada vez menos por conta de tantas pesquisas e avanços. Também acredito que a alegria de poder estar, da nossa maneira, contribuindo, ainda que de forma pequena, para a evolução educacional e cultural de nosso país é um diferencial: quando colocamos nosso coração no que fazemos, tudo frutifica. Um abraço para tod@s e votos de muito sucesso, saúde e paz.