Resumo: Este artigo tem como objetivo promover uma discussão sociológica do momento político vivido no Brasil atualmente, devido às eleições para Presidente e demais cargos, bem como discutir o papel importante da política na mudança da índole dos indivíduos.

Palavras-chave: educação, política, sociedade, ser humano.

Ninguém nasce feito. Vamos nos fazendo aos poucos, na prática social de que tomamos parte.
Paulo Freire

Eu prometo!
Prometo evitar dizer: Eu prometo, pois o sentido deste sintagma já se perdeu pelas nuvens e sabe Deus quem irá encontrá-lo. Ainda bem que promessa não é dívida, porque se fosse, nosso país teria uma dívida bem maior do que a dívida externa para pagar. Uma dívida com cada um de nós brasileiros, que a todo momento se depara com situações inescrupulosas realizadas com o nosso dinheiro suado depositado na esperança de se ter um país melhor.
Ligo a TV e vejo o maior espetáculo de todos os tempos estampado na face de quem puder agüentar até o final do terceiro ato, onde os protagonistas são os nossos governantes, que prometem, dizem que fazem, dão suas justificativas para serem reeleitos, sorriem, ficam sérios, fingem que nada acontece…
É um querendo aniquilar o outro, cada um com seus projetos pessoais, com seus ideais particulares. Parece até que eles se esquecem de que estão ali para decidirem a vida sócio-econômica de uma população com milhões de habitantes e que a grande camada vive a beira da miséria, pedindo somente condições decentes de trabalho para viver.
Os expectadores?! Quem são?? Ahh!! Somos nós, o POVO que luta de sol a sol para pagar o salário desses protagonistas, que andam por aí de carro do ano, casa na praia, viagens pelo exterior e muito…muito dinheiro na cueca, que agora é o lugar mais seguro para se depositar.
Devemos bater palmas para eles. O poder de convencimento é impressionante. Quem é Fernanda Montenegro? Quem é Tarcísio Meira? Esses ilustres e maravilhosos atores são mínimos diante de tanta perfeição, como o Deputado Fulano de Tal, o Senador Ciclano e o candidato a presidente, amigo dos pobres e necessitados. E o picadeiro fica armado, só que de forma inversa. Os palhaços não participam ainda da apresentação principal. Ficam estáticos, desolados, jogados ao relento como se eles fossem simplesmente expectadores. Como se não fossem eles que contratassem os protagonistas.
Neste espetáculo se vê de tudo! Frases do tipo:
-“Eu respeito você!”
-“Eu prometo!”
-“A luta continua companheiros!”
Continua? Para quem? Ah sim, com certeza continua para o povo, que luta todos os dias para sua sobrevivência, para alimentar os filhos deste solo! O que estão fazendo com nossa pátria amada? Onde querem chegar? Ainda ouço pessoas dizendo que não irão votar em ninguém, é tudo igual mesmo, para quê perder o tempo.
Vejamos a desvalorização da palavra, da promessa, do respeito e do compromisso assumido diante de tanta gente. A sociologia, a Filosofia, a Pedagogia, a Psicologia, enfim, as áreas relacionadas aos seres humanos dizem que a educação prepara na formação da criança as condições essenciais de sua própria existência, é através dela que a criança se socializa, então meus amigos leitores e educadores, temos que repensar nossa contribuição para a socialização dos políticos corruptos que passam por nossa vida, enquanto alunos, filhos, amigos e iguais.
Diante de tantos escândalos e promessas, me sinto como Elisa Lucinda na sua poesia Só de Sacanagem, onde a atriz e escritora diz: que seu coração está aos pulos, o meu também está e acredito que o seu coração, que lê este artigo neste momento, também esteja, vendo a cada dia as dificuldades aumentando e nossas esperanças se esvaindo pelo ralo. Não sei até quando agüentaremos tanta hipocrisia e falta de caráter, mas tenho a certeza de que como Elisa Lucinda, sei que não dá para mudar o começo, mas se a gente quiser dá para mudar o final.
Eu prometo tentar!

Bibliografia
LUCINDA, Elisa.Só de Sacanagem. Disponível em http://www.papelfuleiro.com.br/textos/textosodesacanagem.htm, Acesso em 06 de setembro de 2006.

FREIRE, Paulo. Política e Educação. Ed. Cortez, 3ª ed. São Paulo, 1993.

Autor: Alexsandro Rosa Soares – Graduado em Letras e colunista – alexsandro.soares@gmail.com